A relação entre universidades e mercado produz os resultados esperados no Brasil? Parte 1
Em notícia¹ publicada pelo jornal Folha de São Paulo, intitulada “Inovação avança nas universidades federais, mas relação com mercado é falha, diz CGU”, tivemos ciência do Relatório de Avaliação sobre a Economia de Inovação das Universidades Federais², elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU). Nesse artigo traremos um resumo do relatório e faremos comentários adicionais.
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h2>Introdução
A Controladoria Geral da União (CGU) avaliou as “capacidades, atividades e recursos existentes nas 69 universidades federais (IFES) necessárias ao desempenho pleno do papel da academia no ecossistema de inovação nacional.”
Foi dada atenção especial aos seguintes tópicos:
- Capacidade de as IFES transferirem tecnologia para a sociedade, bem como os fatores que restringem esse movimento.
- Sistema de incentivos internos e externos e o conjunto de obstáculos limitadores da plena conversão das capacidades e recursos das IFES em resultados para o sistema de inovação.
- Governança do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) do ponto de vista da integração entre a Política de CT&I, Política Industrial e Políticas de Educação Superior.
O estudo realizado pela CGU foi realizado tendo como motivadores: a estagnação, desde os anos 2000, da taxa de empresas que implementaram inovação; a posição ocupada pelo Brasil no Global Innovation Index (em 2022, em 54º lugar); a importância das IFES para o desenvolvimento do SNCTI.
A inovação no Brasil
Apesar de ser o 10º colocado entre as maiores economias do mundo, segundo o ranking da Austin Rating (2022), o Brasil ocupa o 54º lugar no Global Innovation Index. Além disso, em termos de competitividade, é o 59º colocado entre 63 economias do mundo, conforme indica a 34ª edição do Anuário de Competitividade do IMD.
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Implementação de inovação na indústria
A baixa competitividade do Brasil pode ser considerada como um efeito do baixo índice de inovação implementada nas empresas. Em nosso país, a partir de dados da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), há um cenário de estagnação nesse índice nos últimos 20 anos, o qual oscila entre 31% e 38%. Ao olharmos para países mais desenvolvidos, como Canadá, Alemanha e Suécia, por exemplo, o índice de inovação implementada nas empresas varia entre 60% e 88%.
Outro dado relevante captado pela CGU foi aquele referente às atividades consideradas importantes pelas empresas que implementaram inovação. Esse dado revela uma baixa interação entre universidades e empresas no Brasil. Apesar da expansão do número de empresas que implementaram inovação utilizando universidades como fonte de conhecimento – de 16,44% no período 1998/2000 para 28,52% no período 2015/2017 -, “o grau de importância das informações obtidas é baixo ou não relevante para cerca de 83% das empresas que implementaram inovações nos períodos analisados”.
Tal cenário culmina no fato de que “ao nos situarmos no cenário internacional, segundo dados da Global Innovation Index (2022), o Brasil se posiciona na 78ª posição dentre os 132 países avaliados quanto à colaboração universidade-indústria para P&D.”
Quantidade de pesquisadores nas empresas no Brasil
Segundo os dados mais recentes produzidos pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), “o percentual de pesquisadores nas empresas brasileiras, segundo dados de 2014, era de 27%3, contingente baixo quando comparado a países que se desenvolveram econômico e socialmente”. (Figura 1)
Figura 1 – Percentual de pesquisadores por setor de emprego – 2020
Pressupostos teóricos utilizados na avaliação da CGU
Modelo da Tríplice Hélice
O modelo da Tríplice Hélice foi adotado “como arranjo que maximiza o desenvolvimento da inovação através da interação governo-empresas-academia”.
Proposto por Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff, o modelo baseia-se na “interação não linear entre o governo, a academia e as empresas que dão origem a organizações híbridas e redes bilaterais e trilaterais fundamentais para o desenvolvimento baseado no conhecimento e na inovação”. (Figura 2)
Esse modelo distancia-se de teorias que dão ênfase exclusivamente ao papel do governo, das empresas, ou de ambas, no desenvolvimento da inovação, sustentando “que as interações e relações triádicas academia-empresas-governo favorecem a formação de um ambiente dinâmico no qual o conhecimento cruzado faz surgir organizações híbridas tais como: joint ventures, empresas spin-off em universidades, parcerias entre empresas e centros de pesquisa, entre outras.”
Figura 2 – Interação governo-empresas-academia segundo modelo Tríplice Hélice
Não linearidade do processo de inovação
Em seu relatório, a CGU apresenta a evolução do processo de inovação, demonstrando que este “não é estritamente sequencial e que assume múltiplas dimensões.”
- 1ª Geração – Tecnollogy Push: assume que mais pesquisa e desenvolvimento resulta em mais produtos bem-sucedidos;
Figura 3 – Modelo Tecnollogy-Push
- 2ª Geração – Demand-Pull: assume que o mercado é o direcionador da inovação, sendo a pesquisa e o desenvolvimento meramente reativos no processo;
Figura 4 – Modelo Demand-Pull
- 3ª Geração – Coupling Model: pode ser compreendido como uma fusão dos modelos
- anteriores com o diferencial de não ser linear e multirelacional.
Figura 5 – Modelo Coupling Model
Continuação
Continuaremos a elaboração deste artigo nas próximas semanas, até concluirmos o resumo do excelente estudo realizado pela CGU.
² https://eaud.cgu.gov.br/relatorios/download/1559362
Edwin Lima é consultor em Recursos para Inovação (Incentivos Fiscais, Captação de Recursos e Gestão da Inovação) e atua há mais de 10 anos assessorando empresas a melhorarem seus resultados através de recursos para inovação, contemplando as áreas de incentivos fiscais para P&D (Lei do Bem, Tecnoparque Curitiba entre outros); captação de recursos para projetos (FINEP,
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